sexta-feira, 20 de março de 2009

Morre um Homem

Morreu esta semana Clodovil Hernandes. Sentirei a sua falta. Sentirei a falta não só do Clodovil estilista, do Clodovil apresentador, do Clodovil Deputado Federal, mas do Clodovil homem, talvez um dos últimos homens deste país. Não falo dos últimos homens na constituição física e orientação sexual, mas dos homens que traziam consigo a hombridade, aquele homem que conhecemos nas fábulas e nos mitos, aquele homem de caráter, coragem, dignidade... honradez. Alguns "homens" dirão: “O que é honradez?”

Clodovil não possuía a arma literal forjada pelo fogo e pelo ferro, mas possuía o espírito e sua língua aguçada pela realidade não polida.

Clodovil era um dos últimos homens na honra e na fidúcia, não era cínico e covarde, não era medroso. Dizia o que via, sem as máscaras do politicamente correto e da hipocrisia, pois o que vemos no Brasil não é a ilusória realidade dos discursos políticos, das sentenças poéticas do STF liberando amigos banqueiros e corruptos; não vemos decoro no indecoroso, mas vemos o sono de gordos engravatados, empanturrados pelo relativismo moral. Vemos o caos cruel da bandalheira nos altos postos do Governo e da arma bem engatilhada do assalto e do mau-olhado, enquanto fingimos estar tudo bem entre uma morte e outra.

As pessoas deste país são em geral de três categorias: As burras, as medrosas e as cínicas. Clodovil não se encaixava nessa turma bizarra que desfila e desfilará por longos anos pelo nosso Congresso, pelo nosso Senado, pela nossa Presidência, pelo Sambódromo e pela Sapucaí, e pelas ruas, sim, ruas onde os transeuntes são moldados pela turma estúpida de cadeira cativa na TV.

Clodovil falava mal das mulheres? Não, nunca falou! Mas o que Clodovil via e louvava eram as mulheres eretas que trabalham, suam e brigam para criar os filhos com honra e pela honra, mas não via as mulheres tipo BBB, mulher-níquel, mulher-bunda, mulher-axé-funk-fruta, cuja inteligência reside no vale do silicone enquanto esfregam os peitos de plástico no plasma.

Assisti ao julgamento do Clodovil pela TV. Estava passando pelos canais despretensiosamente quando me deparei com o seu julgamento referente a perda do mandato. Torci para que os juízes do TSE permitissem Clodovil continuar como Deputado Federal, permitissem que ele continuasse a dizer e a falar o que este país tem ojeriza ou é burro demais para perceber, a verdade da realidade. Assim o fizeram, mas infelizmente a vida quis outra sentença.

Sim, sentirei falta do Clodovil, porque, sem o Clodovil, sentirei falta de alguém falando a verdade.