Todos estão sujeitos a alguma espécie de autoridade, quer estejam conscientes disso ou não, todos somos submetidos a vontades alheias que nos afetam em maior ou menor grau.
Em muitos casos a autoridade sobre um número de pessoas imbui a impessoalidade do caráter de julgamento. O escopo é sempre a totalidade, sobrepondo-se ao individuo, limitando a personalidade e tornando o destino individual parte do todo.
Em geral, quem possui autoridade pressupõe posse do prumo da razão e alinha pessoas e objetivos ao galardão proposto. Nisso todos se submetem não a vontade própria , mas a vontade do individuo que domina. A grande consecução para a liderança é persuadir os impúberes a concordância de pensamento, fazendo-os crer que a láurea proposta é a melhor láurea possível.
Nisso a autoridade tende a transformar o individuo em mero instrumento do objetivo, sendo o objetivo a imposição do caráter de quem domina e, em nome da unidade, se esmaga o estro individual.
O mundo então se submete à vontade dominante, atando jurisprudência ao elã e grilhões as demonstrações de individualidade. Essa noção de superioridade de julgamento tende a embotar e enublar o senso e a razão do dominador e dos doutrinados.
Não se trata aqui de crítica a toda forma de autoridade, mas como nos comportamos e qual a nossa atitude diante dela.
Cabe-nos, talvez supor, que submeter-se cegamente ao cotidiano é abdicar da faculdade de raciocínio ou conformar-se a um guia de consciência, um prumo de nossas razões, paixões e raciocínios. É seguir uma vida em que a nossos objetivos são ditados por quem nos submetemos e desperceber que a proposta de vida apresentada nem sempre é a nossa.
Cabe-nos também perguntar: Quanto de nós realmente caminha pelas ruas em direção à nossa cotidiana libré de taifa? Quanto de nós mesmos está em nosso dia-a-dia?
Talvez nada.